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Conhecido como um dos principais diagnósticos do investimento social no país, a pesquisa Benchmarking do Investimento Social Corporativo (BISC), realizado pela Comunitas, atua como uma ferramenta importante para entendimento desse setor.

Há dez anos, o BISC mapeia o repasse de recursos financeiros, de bens ou serviços para ações de caráter social e traz tendências para desenvolver a gestão social privada, potencializando assim, seu impacto na sociedade.

Com uma amostra composta por 259 empresas e 17 institutos/ fundações empresariais, a edição de 2018, lançada em dezembro passado, traça um panorama otimista: mesmo diante de um cenário econômico desfavorável, os recursos investidos voluntariamente se mantiveram no patamar de 2016, atingindo a casa dos R$ 2,4 bilhões de reais.

A pesquisa ainda evidencia que 39% das empresas aumentaram seus investimentos entre 2016 e 2017. A seguir, selecionamos alguns destaques trazidos pelo estudo. Confira!

Origem dos Recursos

O relatório aponta uma tendência para consolidação e crescimento dos investimentos para os próximos anos, uma vez que mais da metade das empresas entrevistadas (57%) pretendem aumentar ou manter os patamares dos aportes. No entanto, 29% dos entrevistados relataram que possuem incertezas em relação à situação dos recursos disponíveis para repasse.

O índice de investimentos realizados via recursos próprios continua prevalecendo sobre os incentivos fiscais. A proporção da utilização de mecanismos de incentivo é de apenas 22% do total de investimentos. Destes, mais da metade (56%) dos incentivos fiscais captados destinam-se a projetos culturais aprovados pela Lei Rouanet.

Diversificação do investimento por natureza do negócio

O BISC 2018 deixou clara a diferença que marca o campo de atuação social das empresas.

Enquanto 63% dos investimentos de empresas do setor de serviços estão concentrados em projetos de educação, o setor industrial possui um leque de atuação mais diversificado. De acordo com a pesquisa, a indústria direciona 30% de seus investimentos para ações de desenvolvimento comunitário e infraestrutura e 19% para iniciativas de arte e cultura.

De forma geral, a educação é uma área importante para as organizações respondentes da pesquisa: em 2017 foram alocados mais R$ 920 milhões nesta temática, sendo que 87% desse recurso foi aportado por institutos ou fundações empresariais.

Em relação à cultura houve uma redução significativa nos investimentos que somou cerca R$ 400 milhões, um dos menores patamares da década nessa área de atuação. Destes, 74% do montante foi mobilizado via lei Rouanet.

Equilíbrio na distribuição dos investimentos sociais.

A pesquisa aponta que o repasse de recursos está atingindo uma boa capilaridade, potencializando uma distribuição mais equilibrada por todo território nacional. O percentual destinado às regiões sul e sudeste se equiparou ao destinado às regiões norte e nordeste.

mapa

Fonte: BISC 2018

Investimento social como estratégia de negócio

O BISC assinala que as organizações estão buscando alinhamento dos seus investimentos em relação às suas estratégias de negócios. De acordo com o estudo, 60% destinam metade dos recursos disponíveis à projetos relacionados ao seu core business.

A articulação com o poder público manteve seu índice estável, sendo praticada em 75% dos respondentes. No entanto, esse valor está abaixo do cenário das primeiras edições da pesquisa, nas quais esse índice chegou à 80%.

O BISC destaca que 92% das empresas respondentes afirmaram envolver organizações sem fins lucrativos na condução de seus investimentos sociais, totalizando 1163 ONGs apoiadas e R$ 453 milhões repassados. Houve um aumento de 43 ONGS amparadas, em relação ao ano anterior.

Sustentabilidade em pauta

Em relação ao meio ambiente, há um equilíbrio entre investimentos em aplicações socioambientais obrigatórias e ações voluntárias, representando 49% e 51%, respectivamente, do total investido.

As organizações respondentes do BISC relataram que assumem compromissos sustentáveis tais como mobilização de atores internos, monitoramento de práticas que coloquem em risco a sustentabilidade e adoção de práticas para avaliação e fornecedores, a fim de considerar os riscos ambientais provocados pela cadeia de suprimento.

O BISC indica que grande parte das instituições entrevistadas não se limitam a mitigar seus impactos e apostam na diversificação de projetos, apoiando iniciativas que não estejam necessariamente ligadas às atividades causadoras do dano.

A adesão à Agenda 2030 e implementação dos ODS passou por um crescimento acelerado: entre o período de 2016 e 2018 o índice saltou de 23% para 58% de empresas comprometidas.

Além dos dados expostos, o BISC possui mais informações que podem auxiliar a sua empresa a entender o perfil do investimento social corporativo no Brasil e assim, traçar as melhores estratégias na gestão do repasse de seus recursos.

A Comunitas, responsável pelo BISC, elaborou um relatório com os principais destaques dos dados coletados. Para conferir o BISC 2018, clique aqui.

 

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