Com o objetivo de traçar um panorama dos editais lançados no Brasil, enviamos um questionário para diversas organizações que selecionaram projetos via editais no primeiro semestre deste ano.

Representantes de 98 organizações públicas e privadas que lançaram editais em 2017 responderam à essa pesquisa inédita. Os dados obtidos nos permitem entender alguns aspectos mais gerenciais da seleção via editais e a compreender alguns aspectos que acabam não ficando públicos.

Chegou a hora de conhecer os principais dados obtidos com essa pesquisa!

Perfil das organizações respondentes

Um dos aspectos mais interessantes das respostas que tivemos foi a possibilidade de entender o panorama das chamadas públicas de diferentes perfis de organizações.

Alguns dos maiores investidores sociais privados do país responderam a essa pesquisa, além de representantes de diferentes áreas de governo – como Cultura, Esporte e Meio Ambiente.

tabela 1

Objetivo da seleção de projetos

No ano passado, mais de 1.200 editais foram divulgados pelo Prosas e observamos dois objetivos distintos para as chamadas públicas:

– Repasses de recursos (financeiros ou não) para projetos sociais, incluindo cultura, esporte, saúde, etc.
– Curadoria e seleção de produções culturais e audiovisuais para premiações, exposições ou mostras artísticas.

Considerando as respostas válidas que tivemos na pesquisa, descobrimos que a maior parte dos editais foram para repasse de recursos financeiros ou não – ainda que a parcela de editais de curadoria seja bem relevante.

tabela 2

Dentre aqueles que fazem editais que envolvem repasses de recursos, mais de 60% relataram que esse investimento é inferior (ainda que não financeiro) a R$ 500.000. Considerando a maior faixa de investimento – acima de R$ 5 milhões -, a parcela foi de cerca de 13% dos respondentes.

ValorInvestido

Características do processo de seleção

Observamos que diversas organizações lançam mais de um edital por ano e por esse motivo buscamos entender quão recorrente é esse cenário.

Dentre aqueles que responderam, 60,4% disseram lançar pelo menos dois editais por ano – e um pequeno grupo (13%) realiza mais de 5 editais por ano.

tabela 3

Os editais possuem um período médio de inscrições que varia de 30 a 45 dias, de acordo com 62% dos entrevistados.

tabela 4

Quando observamos a parcela de projetos que são selecionados com relação ao total de inscrições, reforçamos nosso entendimento de quão competitivo é um processo de edital. Cerca de 57% dos respondentes disseram que selecionam menos de 10% das propostas recebidas.

tabela 5

Áreas e regiões de interesse

Novamente reforçando estatísticas que já tínhamos colocado aqui no blog, a área de Cultura e Artes é aquela que mais recebe editais para seleção de projetos. A tabela abaixo mostra os segmentos mais citados, sendo necessário reforçar que o respondente pode marcar opções múltiplas no formulário. Sendo assim, a soma não equivale a 100%.

A principal área de interesse dos editais privilegia o setor de Cultura e Artes, com destaque para a Música na primeira colocação (42% dos editais), seguida de Audiovisual (38% das respostas), e dos segmentos de Artes Visuais/Plásticas, Teatro e a Dança (cerca de 32% das respostas de cada um deles).

Desconsiderando a área cultural, o grande destaque na área de abrangência dos editais é a Educação, alcançado quase 25% das respostas. Também ficaram em evidência os editais ligados à Defesa de Direitos (22%), Apoio à Gestão de Organizações do Terceiro Setor (21%), seguidos do Desenvolvimento Comunitário (19%).

tabela 6

Quando questionados se os seus editais privilegiaram alguma região específica do país, cerca de 42% dos respondentes disseram que não tem preferência por alguma região específica.

Dentre aqueles que sinalizaram alguma preferência geográfica, as respostas dos participantes mais uma vez apontam para um direcionamento de recursos para a região Sudeste. Somados, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro concentram 43% das respostas dentre aqueles que indicaram alguma preferência.

Mapa_Pesquisa

Dificuldades enfrentadas

No questionário enviado, os respondentes tiveram a oportunidade de relatar, de forma aberta, aquelas que são as principais dificuldades enfrentadas no processo de seleção de projetos por meio de chamadas públicas.

O processo de seleção e monitoramento de projetos envolve algumas questões que podem gerar certas dificuldades para os patrocinadores. Pensando em definir quais os pontos capazes de se complicarem pelo caminho, perguntamos quais são as principais dificuldades encontradas no processo de gerir um edital.

Embora as respostas tenham sido bem variadas e algumas delas bem específicas a cada contexto, agrupamos os principais desafios apontados em algumas categorias genéricas. Como destaque, tivemos Adequação das Propostas ao regulamento (22%), seguido de problemas ligados à Divulgação/Comunicação (20%) e questões relacionadas à Seleção/Análise dos Projetos (19%).

tabela 8

Destacamos algumas falas dos entrevistados sobre suas principais dificuldades:

“Que as organizações consigam entender o edital e se atentem aos documentos exigidos. Sentimos que as pessoas não leem para verificar se o edital condiz com a necessidade da organização.”

“Divulgação que atinja a população como um todo e o público alvo/proponentes ainda estão se adaptando aos novos formatos.”

Próximos passos

O processo de coleta dessas respostas foi de bastante aprendizado para a nossa equipe. Tivemos a oportunidade de ouvir relatos importantes de organizações de diferentes perfis, desde grandes investidores privados até produtoras que fazem a curadoria de festivais.

Também como resultado direto desse processo, fomos convidados por uma importante organização no campo do investimento social brasileiro para ampliar esse estudo e esperamos que em breve tenhamos novidades!

Se você seleciona ou quer selecionar projetos por meio de chamadas públicas, conte com a gente! Teremos satisfação em aprender com você sobre esse processo e compartilhar os conhecimentos que adquirimos até hoje.

 

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